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O Menino das Opiniões

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Furiosamente Louco: Turismo em Portugal

   Há muitas coisas nesta vida que gosto, mas há várias que me deixam furiosamente louco, zangado e triste, por exemplo, o turismo.

 

   Eu sei, é muito bonito ver estrangeiros a comer pastéis de nata e a tirar fotografias na Avenida dos Aliados. Saber que o nosso país está na moda e que, finalmente, está no mapa é um orgulho. Não há nada melhor do que ver os turistas a apreciar fado e elogiar a nossa gastronomia. Sem razão de queixa contra os turistas nestes exemplos, aliás, eu adoro ser turista, mas o problema são as consequências que derivam dessas ações:

  • Preços excessivamente elevados

Verifica-se em quase tudo. No Porto e em Lisboa, o turismo fez elevar excessivamente os preços. Um café no Majestic custa 3,50€ e uma garrafa de água 2,50€. Tudo bem que é no Majestic, mas mesmo assim ... Isto também acontece no imobiliário e nos hotéis.

  • Rendas de casas pequenas a preço de diamante

No Porto e, principalmente, em Lisboa é possível observar o aumento da renda das casas. O problema não é o aumento, mas sim o quanto vai aumentar. Porque não se trata de pagar mais 20€, mas sim 300 ou mais. E não só, se procurarem em imobiliárias, encontram casas de 30m² a 600€ por mês, uma cave de garagem a 1000€ ou um apartamento a 700€ com poucas divisões onde a cozinha é junta ao quarto e é possível estar deitado na cama e abrir o frigorífico apenas com o simples gesto de esticar o braço. Incrível, não é ?

  • Rendas aplicadas a estudantes

Tal como disse no ponto anterior, os preços dos apartamentos estão estupidamente elevados, mas isso ainda se torna mais grave quando se fala em estudantes. Muitas pessoas que tencionavam ir para a faculdade já não vão poder ir por não terem sítio onde ficar e, as que conseguem, têm as suas famílias a fazerem um esforço enorme e a abdicarem de algumas atividades em prol do sonho de verem os filhos licenciados. 

  • Tipo de Comércio

Se forem a Londres, Paris ou Lisboa vão ter o mesmo tipo de comércio. Comérico internacional onde prevalecem marcas globais  a invadir as ruas mais icónicas das cidades destruindo, assim, o comércio tradicional característico da cidade. Infelizmente, este tipo de comércio é cada vez mais notório. As típicas lojas e cafés de rua estão a extinguir-se. Progressivamente, o número de estabelecimentos típicos a fecharem portas devido à abertura de cafés como o Starbucks ou o Hard Rock Café ou lojas como a Zara ou a Tiffosi é maior.

  • Despejo de idosos das suas casas

Este é o tópico que me deixa mais triste e que desperta em mim uma sensação enorme de revolta. Muitos bairristas estão a receber cartas de despejo para abandonar as suas casas. Casas essas que foram palco de vários momentos das suas vidas. Cresceram lá com os seus pais, viveram a adolescência, tiveram os seus filhos naquela casa, acompanharam a vida naquele bairro durante décadas e, agora, por causa do turismo, são obrigadas a abandonar o seu "lar doce lar" para ceder a propriedade a um hostel. 

  • Filas e trânsito

Não se aguenta. Filas para entrar no Café Majestic e na Livraria Lello. Trânsito nas ruas da baixa cheias de tuk-tuks a transbordar de turistas. Multidões para entrar em museus. Parques de estacionamento cheios. 

 

Apesar disto tudo, há sempre a parte boa. O turismo ajuda a economia nacional e injeta grandes quantidades de dinheiro neste país, porém a forma como é feita essa gestão não é a melhor, o que não resulta em nada.

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