Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O Menino das Opiniões

Opino sobre tudo o que vejo.

O Menino das Opiniões

Opino sobre tudo o que vejo.

Eurovisão à Portuguesa ... por Andreia Morais

   A Eurovisão é sempre um festival de emoções fortes, ainda para mais quando o nosso país figura na lista de concorrentes. E este ano, seguramente, para além do orgulho desmedido que nos corre a todos no peito, conseguimos sentir uma adrenalina especial. Como se diz na gíria futebolística, jogamos em casa. E isso só pode dar um aconchego extraordinário. Agora, claro que não nos garante a vitória – ainda que acredite que temos todas as condições para isso. Mas o calor do público fortalece a confiança e impulsiona o voo – o 12º jogador é crucial, mesmo que em cima daquele palco não estejam 11 pessoas.

 

   O meu tema favorito era – e continuará a ser, independentemente de qualquer polémica – “Canção do Fim”, de Diogo Piçarra. No entanto, houve outros que me conquistaram. Aliás, eu vi o Festival da Canção por cinco motivos: porque sou apaixonada por música [principalmente portuguesa], pelo Diogo, pela Isaura, pelo Janeiro e pelo Diogo Clemente. E cheguei ao fim de cada atuação rendida. E ainda mais convencida de que Portugal tem músicos fabulosos. Na impossibilidade de ter a minha canção de eleição a representar-nos, confesso, estava extremamente indecisa entre “O Jardim” e “(sem título)”. Não só pelos compositores e interpretes, mas por todas as sensações que me foram despertando. Ainda assim, acho que o meu coração pesou sempre mais para um lado, o da Isaura e da Cláudia Pascoal.

 

   A primeira vez que ouvi a Isaura foi na 4ª edição da Operação Triunfo. Desde então, tenho estado relativamente atenta ao percurso que traçou, porque o seu sentido musical fascina-me. Acho que tem uma voz peculiar – no melhor sentido possível – e as suas músicas conseguem surpreender, por tudo aquilo que as compõe. Quando percebi que seria uma das compositoras do Festival da Canção, fiquei extremamente curiosa para escutar o que tinha preparado. E, apesar de ter acalentado a esperança de a ver a assumir, simultaneamente, o papel de interprete, sinto que não poderia ter escolhido melhor representante. Porque a Cláudia Pascoal é talento da cabeça aos pés. E a sua genuinidade está bem presente em todas as suas interpretações. Conhecer “O Jardim” foi uma lufada de ar fresco, mesmo que a sua mensagem não seja desprovida de alguma melancolia. Em mim provocou-me logo uma aproximação, porque também tinha um laço muito vincado com a minha avó. Mas a beleza deste tema é que pode facilmente ser adaptado à história de qualquer um de nós.

 

   A letra é maravilhosa! Com um toque de simplicidade, conta-nos uma história de amor no seu estado mais puro. E este lado humano e biográfico, refletido no poema, é subtilmente sustentado por uma melodia que tem tanto de graciosidade – ao ponto de quase nos transportar para um lugar acima do que somos –, como de firmeza – pela batida mais grave, de quem sente cada palavra à flor da pele. A homenagem nas suas entrelinhas também é catártica. E convida-nos a aceitar a partida e a guardar aquilo que de mais belo fica: as memórias. As vivências. E os sentimentos. Espero, muito honestamente, que este Jardim continue a florir. Porque a luz que emana é preciosa. E tem uma capacidade magnífica para colorir a nossa vida. E o lado esquerdo do nosso peito.

 

Andreia Morais: (www.asgavetasdaminhacasaencantada.blogspot.pt)

Instagram: @asgavetasdaminhacasaencantada

 

2 comentários

Comentar post