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O Menino das Opiniões

Opino sobre tudo o que vejo.

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As novas profissões e a pseudo influência

   O que é certo é que o mundo está a mudar, para bem ou para o mal dos nossos pecados, e a tecnologia entra nesta mudança como fator principal. Com tudo o que a tecnologia nos oferece, vou apenas especificar ao nível das profissões. 

 

   Onde andam os vendedores de jornais, as lavadeiras, os carteiros? Exato, não existem. Os jornais em papel estão a ser substituídos por digitais, já existe imensas máquinas de lavar a roupa de várias cores, feitios e funcionalidades que afastaram as lavadeiras das águas do rio e os carteiros ... ah, os carteiros! Esses tentam sobreviver com a entrega de produtos vindos de compras online, porque os mails já aniquilaram o que lhes deu o nome, as cartas.

 

   Nada contra isto. Tudo evolui. Estas não foram as únicas profissões que se extinguiram. Quando estava a fazer uma pesquisa para este texto, descobri que havia uma profissão chamada "Ascensorista". Sabem o que é? É uma pessoa que faz com que o elevador suba ou desça. Desapareceu quando começaram a existir elevadores automáticos.

 

   Apesar da tecnologia ter feito extinguir algumas atividades, também criou outras: Desenvolvedores de aplicações, Técnicos de Marketing Digital, Gestor de Redes Sociais, Influenciadores Digitais (...). Estas ocupações só surgiram no século XXI, o que faz com que ainda sejam mal vistas e ainda tenham pouca força na sociedade. 

 

   Com todos os nomes pomposos que referi anteriormente, o que as pessoas mais conhecem, por motivos bons ou maus, são os influnciadores digitais (os ditos "digital influencers"). Pertencem aqui os bloggers, instagrammers, youtubers, facebookers, snapchatters e outras pessoas que têm uma grande quantidade de seguidores numa outra rede social. 

 

   Estas pessoas fazem vídeos, escrevem textos e partilham fotografias nas suas redes sociais e, quando alcançam uma quantidade significativa de seguidores, são contactadas por marcas e fazem publicidade. Publicidade essa que lhes pagam as contas e influenciam a escolha do consumidor:

 

Exemplo: A Maria é uma adolescente de 13 anos e é consumidora de Youtube e de Instagram. Iniciou recentemente uma dieta mais equilibrada do que a que tinha anteriormente. Os ovos mexidos com o iogurte natural açucarado que comia anteriormente foi substituído por um sumo de laranja natural e uma tosta de pão integral com manteiga de amendoim que comprou num site de suplementos com o código INFLUENCIADA para ter 10% de desconto. A Maria conheceu a marca através das suas youtubers preferidas, que consomem a marca e partilharam o código com os seguidores. Depois de tomar o pequeno almoço, foi à casa de banho lavar a cara com uma água micelar bifásica que viu no Instagram antes de se maquilhar. Já com a cara lavada, a Maria meteu um tutorial de maquilhagem no seu telemóvel e seguiu os passos.

 

   A Maria foi influenciada pelos "influenciadores" que segue. Implementou o trabalho das instagrammers na sua rotina. O objetivo foi cumprido. A "influenciadora" passou a mensagem. A marca vendeu. WIN-WIN Situation. 

 

   De facto, quem influenciou a Maria foi uma influenciadora (interpretar como adjetivo e não como "ocupação"). Tem uma plataforma, seja ela qual for, que passou uma mensagem (paga ou não) de confiança perante o produto utilizado. Influenciou a escolha da Maria. A Maria podia ter comprado a manteiga de amendoim num supermercado ou a água micelar de uma marca diferente.

 

   Este é o trabalho de youtubers e bloggers com grande alcance. Mas não são todos assim. Ter um blogue ou um canal de youtube não faz ninguém ser "influenciador". Eu não sou um influenciador, não tenho alcance para influenciar alguém. Matematicamente falando, ter um blogue ou um canal de youtube não é condição suficiente para se tornar um. E é isto que as pessoas não percebem.

 

   Eu estou em vários grupos de bloggers no Facebook de modo a promover o meu blogue e reparei que uma pessoa mete a hashtag #DigitalInfluencer em todas as publicações que escreve. Fui pesquisar e o blogue é tão grande como o meu, ou seja, pequeno. Suponho que as únicas pessoas que consegue influenciar é o pai, a mãe, o irmão e a vizinha da casa de baixo. 

 

 Também reparei em contas de Instagram de algumas bloggers, youtubers e apresentadoras de televisão de vários alcances com a expressão "Digital Influencer" na biografia. A sério, parem com isso. É só ridículo. Por muito que possam influenciar alguém, rotularem-se como influenciadoras é estúpido porque estão a dizer que a vossa profissão é levar alguém ao consumo e a um mundo fictício. E muitas só escrevem isso porque é o termo do momento, porque de influenciar só mesmo o cão .